Wednesday, April 01, 2009

MIDWAY STILL



(POR RENATO MALIZIA, DO 'the blog that celebrates itself: http://theblogthatcelebratesitself.blogspot.com/)

Esse mundo da música é muito bacana mesmo, vejam só as coisas como são, tempos atrás lá no Amor Louco o Tadeu postou a coletanea Another Kind of Noise, complição das antigas que foi lançada em vinil creio que só aqui no Brasil, onde dentre outras coisas tinha Spitfire, Silverfish, God Machine e Midway Still, dai os comentários que se seguiram era o fato de o Dial Square, debut dos caras, era absurdamente dificil de achar e tal e eu coloquei lá que tinha e dai o Tadeu pediu para passar para galera, e eu logicamente acabei esquecendo mas por preguiça do que qualquer coisa, mas dai vem a coincidência das coincidências, vai vendo, sexta feira passada lá pelas 22:00 hrs...estou eu no Soul Seek dando aquela fuçada básica procurando o 2º album do Solar Powered People, que por sinal ainda não achei, e dentre as atualizações de busca me depoaro com um tal de "maoc" fui ver os arquivos do cara e logo de cara me liguei que o cara era brasileiro e sua coleção tinha grandes bandas "desconhecidas" meio que parecido com os meus arquivos...dai achei muito muito suspeito e imagine, acho que é ou o Tadeu ou o Miguel, e mandei a mensagem "bela coleção hein, parabens!!!" - dai o sujeito muito educado respondeu; "obrigado, aparece no nosso blog" - eu quase rindo perguntei "qual o endereço" e o cara me solta.....http://amorloucobr.blogspot.com/....eu comecei a gargalhar em casa....e soltei "quem é você Miguel ou Tadeu" o cara falou "Miguel, e você" dai soltei "renato malizia" e logicamente veio a sequencia "porra renato"....e ficamos trocando ideia e tal, e o Miguel me lembrou que a galera estava querendo o Midway Still, e chegamos ao post de agora...como negar um pedido do mestre Miguel?"???!?!?!?!?!impossivel.....

Pois é, depois da historinha, um pouco de informação minha pessoal com a banda, meu primeiro contato com o Midway Still, deve ter sido em 1992 data do lançamento do EP Wish, onde eles detonavam tanto a faixa titulo, um petardo a´la Husker Du como uma releitura bacana de You Made me Realise do MBV, pronto cover de MBV em pleno auge do Shoegazer, os caras me ganharam, se bem que nunca foram uma banda de cabeceira para mim mas eu sempre gostei desse trio londrino, o fato é que em meados de 1993/1994 os caras viraram febre nas casas alternativas de sampa graças ao hit Better than Before, um que de Teenage, Dinosaur Jr e Husker Du, com um apelo pop fortissimo, os caras emplacaram clip na MTV, a musica rolava em todas as ditas radios alternativas de sampa e é isso ai, Better than Before é o carro chefe de Dial Square o primerão dos caras bem, mas bem voltado para a linha Lemonheads e Dinosaur e afins, um belo algum que merecia até mais destaque do que teve, depois desse album os caras lançaram alguns singles e um segundo album Life´s too Long que teve uma fraca repercussão comparada com o primeiro, mas que é outro belo album com a mesma pegada.

E para presentear meus amigos e companheiros do Blog Brother, segue abaixo links para os dois albuns do Midway e 2 singles dos caras o primeiro I won´t try e Better that Before e a versão de You made me Realise....recomendo treinar o air guitar e mandar ver nos acordes grudentos dessa bela guitar band!!!
http://www.mediafire.com/?w3z1tzqixby - Dial Square
http://www.mediafire.com/?wnljdmty3o0 - EPs
http://www.mediafire.com/?ynkkectmk0z - Life´s too Long

UM CHUTE NAS NÁDEGAS FLÁCIDAS DO HYPE


Às vezes pode ser bem chato a procura por nomes novos e relevantes no pop mundial. Com a quantidade assustadora de blogs e veículos digitais loucos para responder pelo próximo hype, é gente demais atrás de alguma coisa que se mexa e faça pose, desde que seja nova. E nesse meio tem gente inflando muita draga que não resiste a dois singles. Felizmente o trio norte-americano Gliss está fora da corrente da mediocridade hypada por motivos errados.

‘Devotion Implosion’ sai no próximo dia 7 de abril pela Cordless Recordings – mas já está há algumas semanas circulando pela web. O terceiro registro do Gliss revela a carteira de membro da gangue barulhenta de Raveonettes, Black Rebel Motorcycle Club, A Place to Bury Strangers, crias diretas de mestres do ruído guitarreiro, Jesus and Mary Chain, My Bloody Valentine, todos devotos do Velvet Underground. Para quem os distorcedores são elementos fundamentais para a composição. Ou para quem apitos ensurdecedores de microfonia e o ronco de amplificadores no limite da combustão são suficientes para lotar uma van de equipamentos e cair na estrada.

É o que faz o rock valer a pena. E o trio formado por Martin Klingman, Victoria Cecilia e David Reiss parece saber bem disso. Eles arremessam a guitarra na nossa cara já em ‘Morning Light’, a primeira do disco. Impossível não lembrar de ‘Chain Gang of Love’, do Raveonettes. ‘Lovers in the Bathroom’ lança mão do ‘menos é mais’. Economiza nas guitarras mas ainda enfia ruídos entre versos e o refrão, deixando claro que a intenção do trio é maltratar ouvidos despreparados. ‘Sad Eyes’ é o deboche barulhento do Gliss, que decide fazer menção rápida à New Wave festeira do B’52. ‘Love Songs’ embrulha Mazzy Star e Portishead num pacote armado pelos fuzz e tremolos de William Reid.

Que bom que ainda há gente a fim de fazer sangrar guitarras e deixar marcas pelo talento, e não pelo topete desgrenhado ou pelo jeans rasgado nos fundilhos. Depois de dividir o palco com Raveonettes, Black Rebel Motorcycle Club e Smashing Pumpkins, a banda sai em excursão pelos Estados Unidos com ingressos valendo, em média, desejados US$ 5 (aprendam, promotores!). Se o mundo fosse justo ‘Devotion Implosion’, ainda que levemente irregular, deveria levar o Gliss às capas das principais revistas de música do globo (e a uns dois ou três concertos pelo Brasil). Graças aos céus a internet tem também o poder de desfazer injustiças.

Monday, January 28, 2008

DISCÍPULO SEM VERGONHA


Nos anos 90, John Davis foi guitarra e voz do Superdrag, banda cultuada por poucos, que tinha os 60 na cabeça e o indie rock nas guitarras. A banda gravou alguns discos e chegou a se tornar uma das promessas que, assim como acontece com freqüência no futebol, não vingou.

Depois de encarar uma barra pra lá de pesada com o problema do alcoolismo, Davis converteu-se ao cristianismo e, livre do vício, tocou a vida adiante. Em 2005, lançou a coleção de pedradas John Davis, pela Rambler Records. O inicio do trabalho solo mostrou do que o cara é capaz. Completamente entorpecido de Beach Boys fase Pet Sound, construiu riffs poderosos de guitarra, ganchos assustadores, refrões que insistem em não descolar dos ouvidos e pitadas de Big Star, Dinosaur Jr e outros freaks recentes saudosos do Monterrey Pop Festival. Tudo isso somado a letras que remetem diretamente à atual fase do músico, limpo e seguidor sem vergonha de Jesus – “Thank you Jesus/Abba Father/All Things are possible with you”, canta em "Too Far Out".

Em 2007, Davis lançou Arigato com a mesma potência sonora de JD. O ano mal começou e ele acaba de postar “To Thessalonica” no Myspace (www.myspace.com/johndavis). Disponível para download – e, ao que parece, gravada ao vivo em estúdio –, a canção confirma o poder pop do guitarrista. Tem o dedo de George Harrison nas cítaras lisérgicas que cortam a música do início ao fim, além da mente criativa de Davis, que constrói melodias e encontra os acordes ideais para transformar a canção em um hit poderoso que infelizmente vai ser ouvido por poucos. O trabalho do músico merece muito mais atenção. ‘To Thessalonica’ faria sentido em qualquer single lançado em 68, mas faz total diferença lançada hoje – ainda que só virtualmente, embora a história corra a favor da distribuição do virtual e, mais do que nunca, pro bem ou pro mal, contra a versão física –, em tempos em que a pose vence o talento, quando qualquer meia dúzia de moleques mal vestidos e de cabelos mal cortados são inflados pelo hype rasteiro com muita gritaria e pouca criatividade – vide Klaxons, Arctic Monkeys e toda a montoeira de gente medíocre cover dos Strokes.

Aos que torcem o nariz para músicos convictos da fé que professam, as letras de Davis não se limitam a proselitismos religiosos. E ainda que ele o fizesse, a mão do rapaz para o rock’n’roll – sem o adjetivo reacionário de bom e velho (vade retro) – é forte o suficiente para colocar esse tipo de visão tosca no devido limbo da insignificância. Às viúvas do Superdrag, a banda continua na ativa.

Sunday, July 29, 2007

PASSA!

A JOVEM MANCHESTER ORCHESTRA DÁ PASSOS LARGOS RUMO À MATURIDADE POP. QUE O TSUNAMI PODRE DO HYPE NÃO OS ENGULA




Fiquem atentos: o Manchester Orchestra pode se tornar o próximo hype da imprensa metida a entendida do pop atual. Ou não. Até porque as últimas ondas de hypes foram mais tristes que dançar com a irmã. Vide Strokes, White Stripes, The Hives e mais recentemente, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, The Killers e Cansei de Ser Sexy. Assim, oremos pra que a próxima avalanche de frescura da crítica mantenha intacta a nobreza do jovem quinteto de Atlanta, na Georgia.

Assim como o Mute Math, o Manchester Orchestra é mais um nome da cena independente cristã escalada para o mega Reading Festival. A banda toca no dia 24, no Carling Stage. No dia seguinte, sobe ao palco de mesmo nome, só que do também tradicional Leeds Festival. E no dia 6 de setembro, é o convidado musical do Late Show, de David Letterman. Sinal suficiente de que a banda pode estourar a qualquer segundo.

Andy Hull, Jonathan Corley, Jeremiah Edmond, Chris Freeman e Robert McDowell têm, em média, 19 anos. Mas experiência de gente grande se a agenda de apresentações da banda e a qualidade do som forem levadas em consideração. Liderados por Hull, guitarra e voz, fazem da melancolia escudo pras desilusões do final da adolescência, enquanto mixam The Mission, os conterrânos do REM a contemporâneos como Muse e mewithoutYou (com quem a banda saiu em excursão por cidades dos EUA) em dias de depressão. A voz de Hull fica entre a sutileza e o grito de socorro. "Where Have you Been", faixa do álbum de estréia I'm like a virgin losing a child (2006, Favorite Gentlemen Records), evidencia tal postura, explícita no clamor "Deus, onde você esteve", sustentado por avalanches de teclados que lembram ou se misturam a vozes de algum coral angustiado.

O bom é que o Manchester Orchestra não fica no caminho fácil do pop triste radiofônico,como fazem colegas como Coldplay e Travis. A experimentação, ainda que às vezes tímida, pula das músicas do grupo, com guitarras em afinação torta em "Wolves at Night", enquanto Hull filosofa em tom de lamento às últimas consequências: "pois um desastre é um desastre, não importa com qual linguagem cristã você trate isso"(...) "Sou como uma virgem perdendo um filho, tão só, tão só". A ardência dos versos lembra um certo rapaz de Manchester, que atende pelo nome de Morrissey.

A banda estreiou com You Brainstorm, I Brainstorm. But Brilliance Needs a Good Editor, ep de estréia, lançado em 2005 também pela Favorite Gentlemen. Tinha uma pegada mais pro rock do REM do final dos 80. Hoje a levada é outra, e os moleques já apontam nos principais palcos do pop universal. Depois dos festivais britânicos, circulam ainda pelo Reino Unido - Dublin, Londres, Birminghan e, é claro, Manchester. Dá-lhe!

Saturday, July 28, 2007

A VOLTA DO BOÊMIO


Tem banda que acaba e, anos ou décadas depois, junta os trapos novamente pra cair na estrada. O octeto LN, de Bellevue, Ohio, formado por Gary Murray, Dalton Brand, Nathal Abel, Rob Zajak, Edgar Sinclair, mais um ponei, um cachorro e uma árvore chamada Redemption, não esperou nem completar um ano do final declarado pra anunciar a volta.

Banda liderada pelo soturno Murray, aluno aplicado dos mestres Leonard Cohen e Nick Cave, que já caiu na estrada solo, com o disco Revenant Waltz, pela Velvet Blue Music, voltou para lançar o álbum The Lost Art of Mending Wings, também pela Velvet. Programado para o inverno deste ano, o disco vai trazer 17 faixas e, ao que indicam as quatro músicas que já estão no myspace da banda, a mesma melancolia de sempre. Ainda bem.

O LN é lúgubre sem ser gótico. É pra noites geladas, daquelas em que o frio parece pronto pra cortar a cara e arrancar fora as orelhas durante uma volta sem rumo pelos lugares mais sórdidos da cidade. "Niagra", uma das canções que farão parte do próximo disco, deve ter sido escrita numa mesa de bar às4h da manhã, com quilos de bituca de cigarro apagadas no cinzeiro e um copo de uisque barato, à espera da mulher que, como todo mundo sabe, nunca vai aparecer. "Não havia mesas para dois no fundo do salão, para você e eu/sem silhuetas, sem danças lentas no escuro", sussurra Murray, enquanto a banda escorre suave pela pista de dança até o ralo mais próximo.
A música que dá nome ao disco pega Murray tentando lembrar de alguma outra noite tão quente quanto aquela. Fatalmente não houve outra; todas as anteriores devem ter sido na casa dos dez graus ou abaixo disso, pelo menos no caminho do LN. As referências aos Bad Seeds de Nick Cave e ao Mazzy Star da ainda mais cabisbaixa Hope Sandoval estão por ali, entre timbres boêmios de guitarra, doses perfeitas de feedback e névoas criadas por teclados e efeitos que caem como a neblina das 5 da manhã, hora em que a turma de Murray pede a conta ao mesmo garçom da noite passada e começa a pensar na possibilidade de ir pra casa. The Minotaur é daquelas que toca no carro, no caminho da volta, quando a chuva estala no para-brisa e lembra todo mundo que a manhã seguinte chega com o dedo na cara trazendo um caminhão de porcaria, como aquele emprego insuportável que insiste em se arrastar por anos, que parecem séculos.

Foram dez registros da banda até agora, todos pela Velvet Blue Music. The Lost Art of Mending Wings registra o retorno de uma grande banda, que faz quem gosta de música boa esfregar as mãos e separar um troco pra encomendar o disco que, obviamente, não será lançado no Brasil. Ou que merece deixar o pc ardendo a noite toda enquanto o disco, na íntegra, cai devagar no hd, durante a madrugada, bem a cara do LN.

Sunday, July 08, 2007

TOMA, JEGUE

VETERANO DO NOISE BOTA OUVIDOS PARA SANGRAR EM CARREIRA-SOLO

Esse cabra aí é Adam Franklin, outrora guitarra e voz do Swervedriver, grande banda inglesa dos anos 90 que espalhou shoegazice pelo pop independente universal. O grupo surgiu em 1990 e fez parte da seleção de estrelas do finado selo Creation Records, de Allan McGee. Atravessaram a década passada como uma versão mais freak e melodiosa do trio americano Dinosaur Jr. Em comum, fenders jazzmasters fritando amplificadores e referências a filmes B e mustangs cruzando estradas empoeiradas em meio a areias escaldantesde algum deserto norte-americano.

Com a banda, Franklin criou clássicos do noise, como “Sandblasted”, do primeiro álbum, Raise, e “Duel”, de Mezcal Head, o segundo dos quatro registros deixados pelo quarteto.

Ótimo que ele não tenha deixado a guitarra de lado. O disco mais recente, Bolts of Melody (Hi-Speed Soul Records), lançado no fim de junho passado – o quarto pós-Swervedriver –mantém a tradição da lisergia pop carregada por Franklin desde 1990. A guitarra-mestra permanece a mesma, ruidosa e eternamente em primeiro plano, coberta por efeitos e frases geniais, como nos tempos do grupo. Mas tem violão poderoso liderando canções como “Song of Solomon”. Space rock como há muito não se via. “Seize the Day” soa como se a banda nunca tivesse acabado, ou voltado para ajudar o moço na carreira-solo. Que bom que, em meio a um mar podre de sem graça de Strokes-Franz Ferdinand-Arcade Fire-Arctic Monkeys e mais um bando de gente chata unidas pela total ausência de talento e a constante pose “arranco minhas calças pela cabeça pra ser um popstar”, ainda há pedra rolando com gente como Adam Franklin. Uhtererê.

Sunday, July 01, 2007

BAND OF BROTHERS



2007 tem sido um ano interessante pra quem gosta do subterrâneo da música feita por cristãos, sobretudo nos Estados Unidos. Além de lançamentos interessantes – Brother, Sister, o mais recente do mewithoutYou, os trabalhos dos pós-rockers do Unwed Sailor – o início da temporada juntou novamente os irmãos Jason e Ronnie Martin no trabalho “Brothers Martin” (Tooth and Nail). Apesar de colaborações entre os dois serem frequentes (Ronnie já produziu alguns remixes para faixas do Starflyer 59, de Jason), oficialmente a dupla esteve junta pela última vez com o Dance House Children, na primeira metade dos anos 90.

Tanto tempo depois e os irmãos não perderam a mão. Lançado em janeiro, Brothers Martin é uma paulada pop sofisticada, que mixa as referências oitentistas da banda – “Somos grandes fãs do New Order”, avisa Ronnie – ao que ambos produzem em separado com suas bandas respectivas. O resultado é o que antigos fãs do duo aguardavam: grandes canções, pop vigoroso e dançante, linhas inacreditáveis de guitarras, avalanches de sintetizadores e os vocais indefectíveis dos Martin. Distante do gesso que endurece parte do cancioneiro produzido por cristãos aqui e lá fora, o álbum poderia certamente estar entre as intermináveis e por vezes dispensáveis listas de melhores do ano.

Em fevereiro, entrevistei Ronnie por email (com a entrevista garantida, ofereci à Bizz uma matéria, com o disco como gancho, sobre a dupla veterana no segmento indie de crente, ainda desconhecida de muita gente metida da entendida do assunto, mas depois de algumas conversas com os editores e de ter chegado próximo de vê-la publicada, a revista descartou e o assunto "ficou caduco"). Segue abaixo a entrevista, traduzida livremente e às pressas. Roots!

Quando e como você e Jason decidiram recriar o trabalho iniciado no início dos anos 90 com a Dance House Children (antes, com Rainbow Rider e Morella’s Forest)?
A idéia já existia há alguns anos. Tive uma conversa casual com Brandon Ebel (presidente da Tooth and Nail) um dia e a idéia veio à tona novamente, e ele disse que adoraria lançar (um disco). Então, em vez de esquecer novamente, decidi falar com Jason e colocar a coisa pra funcionar.

Quanto tempo vocês levaram para compor as músicas do disco?
Todo o projeto levou cerca de um ano, isso porque trabalhamos bem devagar nele, e também porque temos outro projetos. Acho que poderiamos tê-lo concluído em um mês se a gente tivesse se proposto a fazê-lo.

Há uma série de referências musicais no disco, como New Order, Soft Cell, Pet Shop Boys e ainda elementos do novo pop, como Interpol, She Wants Revenge etc. A soma de influências foi algo pensado ou surgiu naturalmente nas músicas durante o processo de composição ou gravações?
Eu disse ao Jason, antes de começarmos, que minha intenção era fazer algo como combinar os sons do Joy Electric e o Starflyer 59, e trazer tudo isso junto com alguns elementos dos anos 80. Ambos somos grandes fãs do New Order, então isso veio à tona na soma das influências.

Vocês pensam em fazer shows com o projeto? Se não, por que?
Não temos planos de fazer shows. Quando não estamos gravando ou em excursão com o Joy Electric ou o SF59, trabalhamos juntos em um negócio da família, então um de nós está sempre em casa pra cuidar disso. Viajar com o Brothers Martins está simplesmente fora de questão. Embora eu não me oponha a um show ocasional.

Há milhares de fãs do SF59 e do JE que quase não podiam esperar pelo disco. Para esses fãs, o projeto é como o dream team do pop independente. Como vocês encaram este tipo de reação?
É muito bom saber que as pessoas esperam pelo disco que você lançou. Faz todo o trabalho valer a pena.

Algum plano de repetir a parceria no futuro?
Temos conversado sobre isso, porém não posso me imaginar fazendo outro disco.

Desde o início, vocês dois nunca estiveram limitados apenas à cena pop cristã. Como você vê essa cena hoje? Você identifica alguma evolução desde o tempo em que começaram, lá no início dos anos 90, até hoje?
Sim, há uma ausência de uma base central na cena como antigamente porque ela cresceu demais nos últimos dez anos. Falta underground, raízes, como era antes mesmo de a gente começar. As pessoas envelhecem e as coisas se vão com o tempo, o que para mim é muito triste de dizer, mas é inevitável. Sinto falta deste aspecto comunitário do início da cena.

Atualmente, a indústra da música cristã aparenta ter três segmentos: o primeiro, composto por canções de louvor, grupos de louvor e discos de louvor; o segundo, por grupos de todos os gêneros, que usam as canções para a evangelização; e o terceiro formado por bandas que se sentem totalmente livres para falar sobre qualquer tema, incluindo o relacionamento com Deus, nas letras das canções. Você se vê nessa “terceira via” da música cristã contemporânea? Ou você acredita que qualquer tentativa de inserir um novo rótulo no segmento é algo estúpido e desnecessário?
Creio que estes segmentos existem e é óbvio que a gente está na terceira categoria que você mencionou, mas também sinto que não temos muita companhia nesta terceira via! Existe de tudo para vender discos agora, mas tanto o JE quanto o SF59 sempre tiveram algo a mais. Você tem essas classificações porque as coisas precisar ter clasificações. Simples assim.

Você e o Jason são bastante produtivos no cenário musical. Você lança pelo menos um álbum por ano e um EP. Como faz para manter um padrão de qualidade em seus discos?
Bem, qualidade depende do gosto, claro. A gente apenas tenta não fazer muito alarde sobre isso. Ambos temos nossos próprios estúdios, e escrevemos música de um modo muito natural, então estamos basicamente gravando o tempo todo para entregar um produto acabado.

Como faz para encontrar sintetizadores antigos e os equipamentos certos pra manter o teu som com essa atmosfera ‘vintage’?
Não compro muito equipamento. Estou muito feliz com o equipamento que tenho e tento apenas aprender mais sobre eles com o passar do tempo. Se preciso encontrar alguma coisa, vou ao Ebay ou a amigos especializados em encontrar equipamentos antigos. É divertido usar equipamento analógico, mas ultimamente o que mais me interessa é ser produtivo com as ferramentas que tenho à disposição.

Sunday, March 04, 2007

FILHOTE DE JOHNNY MARR

Josh Dooley responde pelo Map, uma das coisas mais interessantes que o rock cristão independente produziu nos últimos 10 anos. Abaixo, segue entrevista com o líder da banda, que também faz as vezes de segundo guitarrista no Starflyer 59, além de tocar em outras bandas. Dooley respondeu algumas perguntas feitas por mim e por Éber Freitas, do zine The Bells, em entrevista publicada no primeiro número da publicação, e veiculada também no blog.

JOSH DOOLEY
Map é mais uma guitar band da ensolarada Califórnia com influências diversas indo desde The Smiths até Slowdive. Por guitar band não entenda que esta seja uma banda barulhenta, mas que sabe usar a guitarra bem para conduzir as harmonias e melodias cuidadosamente trabalhadas, na maioria das vezes, pela mente principal da banda Josh Dooley. Josh Dooley é uma figura a ser respeitada neste meio. Sendo, também, o atual guitarrista da banda Starflyer 59 de Jason Martin, já trabalhou com diversas outras bandas. Tudo isso você confere nesta entrevista exclusiva que pudemos fazer com o próprio Josh. Enjoy!

Teu som revela referências de coisas dos anos 80. Smiths talvez seja a referência mais forte do som do Map, e isso fica bem evidente nos arranjos vocais. De que modo o pop britânico daquela década mexe com você, ou te faz pensar em prosseguir fazendo música?
Pra mim houve muitas pessoas audaciosas nos anos 80. Creio que The Cure era uma banda muito inovadora assim como Echo & The Bunymen, nenhuma das duas se pareciam com Wham! ou Culture Club e elas escreviam músicas muito boas. Acho que os anos 80 foram tempos bons para o pop. Por mais que você não goste da maneira como eles cantavam ou odeie teclados você tem que admitir que existiram grandes canções.

Jason Martin, do SF59, já disse em entrevistas que os Smiths foram fundamentais na formação musical dele. Pode estar aí uma das razões da força melódica encontrada nos discos do SF59. Você entende que, neste sentido, a influência juntou vocês dois musicalmente?
De fato, alguns amigos em comum nos influenciaram muito quando estávamos no colégio (em escolas diferentes) porque diziam eles “Wow, você toca guitarra de um jeito que parece com The Smiths. Você deveria conhecer nosso amigo Jason. Ele toca bateria e parece com The Smiths”.

Hoje o segmento independente virou hype. A facilidade que a internet proporciona para divulgar bandas e criar cenas tornou tudo muito acessível a qualquer um que esteja conectado à rede, em qualquer canto do mundo. E até o momento, crítica e público só encontram benefícios nesta via democrática, que se tornou a web, para a música pop universal. Tudo isso levou o indie rock a um passo do mainstream. Você vê algum ponto negativo nisso tudo?
Não. Existem maneiras diversas de se encontrar música e eu percebo que os gostos das pessoas está se tornando mais diverso.

Você costuma fazer downloads? O que acha do mp3?
Eu adoro baixar musicas as 3 da madrugada usando meu pijama.

O que você tem ouvido atualmente?
Lily Allen, Asobi Seksu, Beck e National Public Radio (que é uma versão americada da radio BBC)

Além do Map e do SF59, está envolvido com outros trabalhos musicais?
Sim, muitos outros. Kat Jones, Fine China, Hank Floyd, Pony Express, Phoenix Coleman, Calico Sunset, Winston and The Telescreen e The Dalloways.

Está satisfeito com o suporte da Velvet Blue Music?
Sim. Eu considero Jeff meu melhor amigo e me orgulho muito das músicas lançadas pela VBM. E sinto como se eu ajudasse o selo a prosseguir.

Já conseguiram rodar todo os Estados Unidos com a banda? Há planos de alguma turnê fora do país?
Eu adoraria ir ao Brasil ou Tókio ou qualquer outro lugar num segundo. Só preciso de um bom agente.

Vocês estão trabalhando em algum novo material para um disco cheio agora?
Eu tenho feito alguns demos devagar para um disco cheio ultimamente e é só isso.

Com quais produtores o Map trabalhou até agora?
Jason Martin e Richard Swift.